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Política 4 min read 6h ago

Suprema Corte autoriza restrições ao voto por correio nos EUA

  • A Suprema Corte dos EUA, por sua maioria conservadora, autorizou o governo Trump a implementar restrições ao voto por correio, suspendendo liminar de tribunal inferior que havia
  • A juíza Ketanji Brown Jackson, em dissidência, afirmou que a decisão injeta caos nas eleições de novembro, enquanto estados como Oregon e Califórnia prometeram novas ações
  • A NAACP e 23 estados condenaram a decisão; uma segunda liminar que impede o USPS de recusar cédulas de eleitores não listados pelo governo federal ainda não foi apreciada pelo
Suprema Corte autoriza restrições ao voto por correio nos EUA
Suprema Corte autoriza restrições ao voto por correio nos EUA

A Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou nesta segunda-feira o governo Trump a avançar com restrições ao voto por correio, suspendendo uma liminar de tribunal inferior que havia bloqueado a implementação de uma ordem executiva assinada pelo presidente em março de 2026. A decisão, tomada pela maioria conservadora do tribunal, abre caminho para mudanças que podem afetar as eleições de meio de mandato marcadas para novembro — enquanto alguns estados já se preparam para enviar cédulas postais em questão de semanas.

O que determina a ordem executiva

A ordem de Trump instrui o governo a criar listas de eleitores habilitados e ordena que o Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS) entregue cédulas enviadas pelo correio apenas a pessoas constantes nessas listas. O USPS estava pronto para publicar uma nova norma regulatória nesse sentido, que entraria em vigor ainda esta semana caso os tribunais não interviessem. O professor de direito eleitoral Rick Hasen, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, observa que a Suprema Corte suspendeu apenas uma das duas liminares que bloqueavam as restrições: uma segunda ordem judicial — que impede o USPS de recusar a entrega de cédulas de eleitores não constantes de lista federal aprovada — ainda não foi apreciada pelo tribunal.

Dissidência e críticas à decisão

A juíza Ketanji Brown Jackson, em voto dissidente contundente, afirmou que a decisão da maioria "injeta caos e incerteza desnecessários nas próximas eleições de meio de mandato". Jackson argumentou que permitir ao governo avançar com as mudanças "contribui para o caos pré-eleitoral em vez de suprimi-lo" e destacou que a Constituição atribui expressamente aos estados o poder de conduzir eleições federais. A opinião coletiva dos seis juízes indicados por presidentes republicanos não se pronunciou sobre a legalidade da ordem executiva em si.

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Reação dos estados e da NAACP

Vinte e três estados e o Distrito de Columbia, que haviam processado o governo federal para bloquear as restrições, manifestaram indignação com a decisão e prometeram continuar a batalha judicial. O procurador-geral do Oregon, Dan Rayfield, disse que seu estado tomará medidas legais caso o USPS ou qualquer outra agência federal "ilegalmente tome providências para interferir no voto por correio". "Hoje a decisão do tribunal é um revés temporário, nada mais. Esta luta está longe de terminar", afirmou Rayfield. O secretário de estado do Oregon, Tobias Read, garantiu que as eleições de novembro "transcorrerão conforme planejado, livres de qualquer interferência federal ilegal" — o estado realiza suas eleições integralmente pelo correio desde 1998.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, anunciou que seu estado entrará novamente na Justiça para bloquear as mudanças federais. Newsom também destacou dois projetos de lei estaduais em elaboração que criminalizariam a interferência na entrega de cédulas postais, estabelecendo até três novos crimes com pena de até quatro anos de prisão.

Derrick Johnson, presidente da NAACP — organização que já havia processado Trump em abril para bloquear a ordem —, disse em nota que a decisão é "um lembrete de que a democracia jamais é garantida". "A ordem de Trump não tem nada a ver com integridade eleitoral. Tem tudo a ver com manter o poder a qualquer custo", declarou Johnson.

Contexto mais amplo: vistos, imigração e sanções

A decisão sobre o voto por correio ocorre em meio a uma série de movimentos do governo Trump em múltiplas frentes. O Departamento de Estado prepara a revogação de vistos de negócios e turismo (categorias B1 e B2) de até 200 mil estrangeiros que solicitaram ou buscam atualmente status de asilo nos EUA, segundo documentos obtidos pela Associated Press. O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, confirmou a coordenação com o Departamento de Segurança Interna, mas recusou-se a confirmar o número exato de vistos a serem cancelados.

Também nesta segunda-feira, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou o que descreveu como uma campanha de sanções "sem precedentes" contra o Irã e seus parceiros comerciais, sem especificar quais países — incluindo a China, maior importadora de petróleo iraniano — seriam afetados por sanções secundárias. Bessent disse que o objetivo é a "asfixia econômica" do regime iraniano, mas que haverá um período para que as nações "remediem seu comportamento" antes de sofrerem consequências. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda indica que apenas 31% dos americanos apoiam a ação militar contra o Irã, queda em relação aos 34% registrados no início do mês.

No front comercial, a escalada de tensões com o Canadá segue paralela às disputas internas: Trump ameaçou elevar tarifas sobre automóveis, peças e aço canadenses a 50% após o colapso das negociações comerciais, em mais um desdobramento de uma crise diplomática que se aprofunda. A decisão sobre o voto por correio, contudo, permanece como o epicentro das disputas constitucionais imediatas — com novos recursos judiciais já anunciados e as eleições de novembro se aproximando rapidamente.

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