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Política 3 min read 1h ago

PP exige repatriação de todos em Ceuta

  • O PP exige a devolução de todos os migrantes de Ceuta, incluindo menores e pessoas doentes, sem aceitar transferências para a Península.
  • O partido propõe reforço dos serviços de imigração 24 horas e o possível isolamento de migrantes com doenças infecciosas, medida que especialistas desaconselham.
  • O PP acusa Pedro Sánchez de se ter "ocultado" em Lanzarote durante a crise e anuncia ofensiva parlamentar para responsabilizar oito ministros do Governo.
PP exige repatriação de todos em Ceuta
PP exige repatriação de todos em Ceuta

O Partido Popular da Espanha fixou uma posição sem concessões sobre o destino dos milhares de migrantes que permanecem em Ceuta após as entradas irregulares registadas no final de julho: todos devem ser devolvidos, sem exceção por vulnerabilidade, doença ou idade. A direção do partido, reunida na sede de Génova sob a presidência de Alberto Núñez Feijóo, não deixou margem para interpretações alternativas.

"A política social de Marrocos é responsabilidade de Rabat"

O porta-voz nacional do PP, Borja Sémper, sintetizou a postura do partido numa frase direta após a reunião da cúpula: "A política social de Marrocos tem de ser feita pelo Governo de Marrocos." Para o partido, as insuficiências do sistema assistencial marroquino não constituem uma responsabilidade que deva ser absorvida pela rede pública espanhola. "Falamos de devolução, não de redistribuição", acrescentou Sémper, fechando a porta a qualquer fórmula que implique transferir migrantes para a Península — incluindo cerca de 500 menores em situação de vulnerabilidade que o Ministério da Juventude e da Infância estuda realojar em outras regiões espanholas.

A posição coloca o PP em rota de colisão com o próprio Governo central, mas também com as comunidades autónomas governadas pelos conservadores, que o partido recusa envolver em qualquer fórmula de solidariedade inter-regional. A crise de Ceuta tem exposto fraturas profundas na política migratória espanhola, e a intransigência do PP aprofunda esse fosso.

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Serviços de imigração 24 horas e isolamento de doentes

Para concretizar a devolução acelerada dos migrantes, o PP exigiu ao Governo o reforço extraordinário dos serviços de estrangeiros em Ceuta, com funcionamento ininterrupto em turnos de manhã, tarde e noite, de modo a agilizar os processos e reduzir a zero os casos pendentes. O partido estendeu a mesma lógica ao plano sanitário ao propor que o Executivo estude a possibilidade de isolar ou confinar as pessoas diagnosticadas com doenças infecciosas, "sempre que seja medicamente razoável". Entre as patologias detetadas em Ceuta constam tuberculose, sarna, varicela e gastroenterite. Especialistas, porém, desaconselham a medida de confinamento para os casos identificados na cidade autónoma — posição que o PP não incorporou na sua proposta.

Ofensiva parlamentar e críticas a Sánchez

Com o regresso do Parlamento espanhol, o PP prepara uma ofensiva parlamentar centrada na gestão da crise. Sémper confirmou que os conservadores exigirão explicações aos oito ministros que comparecerão nos próximos dias, mas apontou o presidente do Governo, Pedro Sánchez, como o principal responsável político. Na visão do partido, Sánchez utilizou os ministros como "escudo humano" enquanto permanecia em Lanzarote, e deverá assumir "a máxima responsabilidade política" pela resposta do Executivo. A ministra Robles já esteve no Congresso a defender a gestão de Ceuta, mas o PP considera insuficiente a prestação de contas até agora.

Permanece por determinar como Marrocos reagirá a uma impugnação tão explícita da sua política social por parte do principal partido da oposição espanhol — um partido que aspira a governar o país e, com isso, a manter relações de boa vizinhança com Rabat. Iniciativas semelhantes de devolução de menores já geraram condenação judicial em Espanha, o que torna a viabilidade legal da proposta uma questão em aberto.

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