Orca Toñi baleada por barco espanhol
- A orca Toñi, matriarca ibérica de 60 anos, foi atingida por cerca de 10 tiros de perdigões em águas portuguesas, possivelmente disparados por uma embarcação com bandeira espanhola.
- A investigação aberta pelo Ministério espanhol ainda está em fase preliminar e não identificou formalmente o responsável pelos disparos.
- A população de orcas ibéricas conta com apenas 27 indivíduos conhecidos e está classificada em perigo crítico de extinção pela UICN.
A orca Toñi, conhecida também como La Abuela e líder de 60 anos de um dos grupos da população de orca ibérica, foi avistada no dia 10 de agosto com marcas de disparos de perdigões na aleta dorsal. As primeiras apurações da investigação aberta pelo Ministério espanhol para a Transição Ecológica indicam que os tiros partiram de uma embarcação com bandeira espanhola em águas de jurisdição portuguesa — embora as autoridades ressalvem que ainda não é possível estabelecer uma conclusão definitiva sobre a autoria dos fatos.
O que se sabe sobre as lesões
Toñi recebeu cerca de 10 impactos, e suspeita-se que alguns perdigões permaneçam alojados na aleta. Apesar da gravidade da situação, a matriarca segue viva. Janek André, presidente da associação We Whale/Iberian Orca Guardians, informou que ela foi vista recentemente no Algarve, em Portugal, acompanhada de Pingu — seu filho adotivo — e de Scarlet, outra fêmea que recentemente deu à luz um filhote. Cientistas temiam que os ferimentos pudessem causar infecção, dado que, em razão da idade avançada, o sistema imunológico de Toñi é menos robusto do que o dos exemplares mais jovens.
Janela temporal dos disparos
Quando foi detectada ferida no Estreito de Gibraltar, Toñi havia acabado de percorrer a costa portuguesa vindo de Galícia, junto a Pingu e Scarlet. O último avistamento sem ferimentos ocorreu em Faro, Portugal. Com base nessa cronologia, os investigadores trabalham com a hipótese de que os disparos aconteceram em algum ponto entre Faro e o Estreito de Gibraltar.
Orcas e barcos: um conflito crescente
Toñi é a matriarca de um dos grupos associados às chamadas gladis — exemplares que se aproximam de embarcações, interagem fisicamente com elas e, em alguns casos, provocam seu naufrágio, comportamento que gerou ampla controvérsia nos últimos anos. Sobre o fascínio e o perigo que os naufrágios provocados por essas interações despertam, a discussão pública tem crescido consideravelmente. A atração humana pelos naufrágios é um fenômeno que ajuda a entender por que os episódios com as gladis capturam tanto a atenção da mídia global. Este ano, a própria Toñi passou a protagonizar interações do mesmo tipo com embarcações. Os cientistas ainda desconhecem o que levou essas orcas a adotar o comportamento, cujo origem permanece objeto de estudo.
Espécie em risco crítico
A população de orcas ibéricas está classificada em perigo crítico de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e como vulnerável no Catálogo Espanhol de Espécies Ameaçadas. No último levantamento realizado, foram detectados apenas 27 indivíduos. André é categórico: "Disparar contra elas nunca pode ser uma resposta aceitável", afirmou, ao defender a redução da pressão sobre a espécie.
Investigação ainda em fase preliminar
O Ministério espanhol sublinha que as diligências estão na fase de atuações prévias e são conduzidas pela Diretoria-Geral de Biodiversidade, Florestas e Desertificação em conjunto com as autoridades portuguesas, incluindo a tomada de depoimentos. Ao término das apurações, será avaliado se o caso deve ser encaminhado ao Serviço de Proteção da Natureza da Guarda Civil (Seprona) e ao Ministério Público. Enquanto a investigação não avança, a responsabilidade pelo ataque permanece sem nome.
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