Calor e seca ameaçam pomares alemães
- O produtor Albrecht Rembold, de Heilbronn, estima perdas de até três quilogramas por árvore devido à seca e recorreu à irrigação de emergência com mangueiras de gotejamento para
- O agrônomo Franz Rueß afirma que a construção de reservatórios de água é 'uma necessidade' para os pomares do sul da Alemanha se tornarem viáveis no longo prazo diante do
- A mudança climática antecipou a floração das macieiras de maio para abril, aumentando o risco de danos por geadas tardias e impulsionando o desenvolvimento de variedades de
No Obsthof Rembold, pomar localizado nas colinas próximas a Heilbronn, no sul da Alemanha, cerca de 30 variedades de maçã crescem em fileiras ordenadas — mas o verão de 2025 está exigindo muito mais do que trabalho braçal. A combinação de calor intenso e falta prolongada de chuva está pressionando produtores como Albrecht Rembold a adotar medidas de emergência para salvar a safra.
Redes antigranizo contra o sol, mangueiras contra a sede
Rembold conta que as redes antigranizo, já adotadas como padrão em sua propriedade para garantir a produção, revelaram um efeito inesperado e bem-vindo: protegem as frutas contra queimaduras solares. Nos pomares sem essa cobertura, é possível observar amarelamento e danos nos tecidos das maçãs expostas diretamente ao sol.
O problema, porém, vai além da temperatura. As árvores passaram semanas com água insuficiente, e Rembold estima que cada árvore deixou de produzir até três quilogramas de maçã em razão da seca. Como mecanismo de defesa, as plantas chegam a derrubar os próprios frutos quando falta umidade. Há poucos dias, o produtor iniciou uma irrigação de emergência: com a ajuda da família, transporta galões de água até os pomares e abastece cada árvore por meio de mangueiras de gotejamento. O verão extremo que assola a Europa já cobra seu preço no campo. "Estamos agindo como bombeiros: socorremos onde a situação está mais grave, para não perder o pomar e preservar a qualidade", afirmou Rembold.
Reservatórios: investimento necessário, mas inacessível
Uma solução de médio prazo seria construir um reservatório para armazenar água nos períodos chuvosos. Rembold admite que já cogita a ideia, mas dois obstáculos concretos travam a decisão: a necessidade de licença ambiental e o alto custo do investimento, incompatível com a receita atual do pomar, pressionada pela concorrência de maçãs importadas.
Para Franz Rueß, agrônomo da Staatliche Lehr- und Versuchsanstalt für Wein- und Obstbau de Weinsberg — instituto estadual de ensino e pesquisa em viticultura e fruticultura —, não há alternativa a longo prazo. "O sul da Alemanha precisará apostar nesses reservatórios. É uma necessidade para que os estabelecimentos tenham futuro", afirma o pesquisador. Cidades alemãs já acumulam dezenas de dias com calor extremo neste verão, reforçando a urgência do alerta.
Flores mais cedo, geadas mais tardias — e a aposta em novas variedades
A água também é essencial na primavera: quando há risco de geada noturna, os produtores borrifam água sobre as flores das macieiras para protegê-las do frio. O problema é que, segundo Rueß, a mudança climática tornou mais provável o encontro entre floração precoce e noites de geada tardia. "Os invernos mais amenos adiantaram o período de floração", explica o pesquisador. Antigamente, as macieiras floresciam entre o início e meados de maio; hoje, isso ocorre entre o início e meados de abril.
Uma das apostas para o futuro é o desenvolvimento de variedades mais resilientes ao clima. Rueß desenvolveu uma delas, batizada de "Mammut", que floresce tão tardiamente que as geadas raramente conseguem atingi-la. A adoção em larga escala dessas variedades, porém, exige tempo e dinheiro: as mudas têm custo elevado, levam anos para produzir com plenitude e ainda precisam conquistar o paladar dos consumidores.
Enquanto as soluções definitivas amadurecem, Albrecht Rembold segue buscando alternativas práticas. "Quero entregar aos meus filhos, se eles quiserem, uma propriedade em melhor situação ecológica e econômica do que a que recebi dos meus antepassados", disse o produtor. O objetivo é garantir que maçãs alemãs continuem sendo colhidas nessas colinas nas próximas décadas — um horizonte que, diante das pressões climáticas atuais, já não pode ser dado como certo.
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