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Economia 4 min read 4h ago

Trump ameaça tarifas de 50% sobre carros e aço canadenses a partir de 2027

  • Trump anunciou tarifas de 50% sobre automóveis, peças e aço canadenses a partir de 1.º de janeiro de 2027, após o fracasso das negociações comerciais entre os dois países.
  • O premier canadense Mark Carney prometeu retaliar dólar por dólar a partir de 8 de setembro, com apoio unânime de políticos canadenses de diferentes partidos.
  • Tarifas de 50% sobre centenas de produtos canadenses, equivalentes a 20 bilhões de dólares em exportações de julho, já entraram em vigor no sábado anterior ao anúncio.
Trump ameaça tarifas de 50% sobre carros e aço canadenses a partir de 2027
Trump ameaça tarifas de 50% sobre carros e aço canadenses a partir de 2027

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que imporá tarifas de 50% sobre todas as importações canadenses de automóveis, caminhões, peças automotivas e aço a partir de 1.º de janeiro de 2027, após o fracasso das negociações comerciais entre os dois países. O anúncio foi feito por Trump em sua rede social, onde acusou o Canadá de "estar enganando os Estados Unidos há anos" e afirmou que o país "não será mais tratado como um estado".

Colapso das negociações e retaliação canadense

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, declarou em Ottawa que o Canadá igualará as tarifas americanas dólar por dólar a partir de 8 de setembro, após reconhecer que rompeu as negociações a contragosto. Carney justificou a decisão afirmando que os novos termos propostos por Washington eram "antieconômicos e injustos". "Quando te atacam, estás em guerra, e nós fomos atacados", declarou. "Não podemos aceitar o que nos ofereceram e não daremos o que nos pediram", acrescentou, reconhecendo que a medida implicará aumento de custos para os cidadãos canadenses. A tensão entre Washington e Ottawa já havia escalado antes mesmo do anúncio desta semana.

Tarifas já em vigor e impacto econômico

No sábado anterior ao anúncio de Trump, entraram em vigor tarifas americanas de 50% sobre centenas de produtos canadenses que representam cerca de 20 bilhões de dólares em exportações de julho, incluindo tacos de hóquei e produtos agrícolas. O aço canadense importado já estava sujeito a uma alíquota de 50%, enquanto automóveis e peças procedentes de fora dos EUA enfrentam atualmente uma tarifa de 25%. O novo anúncio, portanto, elevaria as tarifas sobre veículos ao mesmo patamar do aço. Veículos fabricados nos próprios EUA não serão afetados pelas novas sobretaxas, segundo Trump. O Canadá é a terceira maior fonte de importações dos Estados Unidos: em 2025, mais de 380 bilhões de dólares em bens entraram no país a partir do território canadense, conforme dados do Censo americano. Trump argumentou que 95% dos negócios canadenses são realizados com os EUA, ao passo que a recíproca não seria verdadeira.

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Unidade política no Canadá e divisão nos EUA

A resposta de Carney foi respaldada por políticos canadenses de todo o espectro, incluindo o líder da oposição conservadora, Pierre Poilievre, que pediu unidade nacional. "Os canadenses devemos permanecer unidos para defender nosso país contra esses ataques injustos aos nossos empregos e às nossas empresas", afirmou Poilievre. Doug Ford, premier de Ontário, foi mais incisivo: "Temos de usar todas as ferramentas à nossa disposição para garantir que, se Donald Trump tentar fazer os canadenses sofrerem, nós o façamos sofrer na mesma medida." A ameaça de retaliação com o fornecimento de eletricidade aos EUA já havia sido cogitada por autoridades canadenses. Do lado americano, a unanimidade é menor: vozes dentro do próprio campo conservador alertaram para os efeitos negativos de uma guerra comercial com o Canadá, e analistas apontam que as tarifas resultarão em aumento de custos para os consumidores norte-americanos. Carney já havia demonstrado firmeza em negociações anteriores ao rejeitar termos considerados desvantajosos para o Canadá.

Perspectiva incerta

Com as novas tarifas de 50% previstas para 2027 e as retaliações canadenses já agendadas para setembro, o conflito comercial entre os dois maiores parceiros do continente americano aprofunda-se sem sinalização clara de reaproximação. A escalada ameaça cadeias produtivas integradas — especialmente no setor automotivo — e pode elevar preços tanto nos EUA quanto no Canadá, segundo as próprias autoridades envolvidas.

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