Canadá anuncia tarifas de retaliação
- O Canadá deve anunciar nesta terça-feira tarifas de retaliação contra os EUA, após o primeiro-ministro Carney romper as negociações na sexta-feira passada.
- Trump ameaçou novas tarifas de 50% sobre veículos, autopeças e aço canadenses, e exigiu que Ottawa se 'subordinasse' a Washington.
- O premier de Ontário, Doug Ford, não descartou restringir o fornecimento de eletricidade e matérias-primas aos EUA em caso de nova escalada.
Ottawa prepara-se para anunciar nesta terça-feira tarifas de retaliação contra os Estados Unidos, aprofundando a crise comercial entre os dois países vizinhos. Um representante do governo canadense familiarizado com os planos confirmou as medidas à agência AP. O ministro das Finanças, François-Philippe Champagne, e três outros membros do gabinete farão o anúncio formal na manhã desta terça-feira, no horário local.
Carney recusa posição de subordinação
O primeiro-ministro Mark Carney, de 61 anos, foi categórico ao justificar a decisão. "Uma postura na mesa de negociação de que o Canadá é uma subsidiária dos Estados Unidos, não vamos aceitar", afirmou. Carney acusou Washington de querer "destruir" os principais setores industriais canadenses — automotivo, siderúrgico e de alumínio — e classificou o acordo rejeitado como "um mau negócio", citando isso como "um dos principais motivos pelos quais dissemos não".
A ruptura definitiva com as negociações ocorreu na sexta-feira passada, quando Carney interrompeu os diálogos. Em resposta, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas de 50% sobre mercadorias canadenses avaliadas em cerca de 20 bilhões de dólares.
Trump eleva o tom e ataca rivais pelo nome
Na segunda-feira, Trump escalou ainda mais o conflito, exigindo que o Canadá se "subordinasse" ou enfrentasse consequências "muito piores" do que as tarifas já impostas. Ele também ameaçou novas alíquotas de 50% sobre veículos, autopeças e aço canadenses. Em publicações nas redes sociais, afirmou que "o Canadá esteve sugando os Estados Unidos da América por anos" e criticou o que chamou de tarifas canadenses "ridiculamente altas" sobre produtos agrícolas americanos — alegações que o governo de Ottawa não confirmou publicamente na mesma ocasião.
Trump foi além das questões econômicas e atacou pessoalmente Doug Ford, premier da província de Ontário, descrevendo-o como "pouco carismático, inteligente e, no geral, pouco impressionante". O presidente voltou a referir-se a Carney como "Governador Carney" — alusão à sua reiterada proposta de que o Canadá se tornasse o 51.º estado americano, hipótese rechaçada por Ottawa.
Ford ameaça cortar eletricidade e matérias-primas
Ford respondeu às críticas de Trump com firmeza e não descartou restrições ao fornecimento de eletricidade e matérias-primas de Ontário aos EUA. "Abastecemos com eletricidade 1,5 milhão de residências e empresas", disse Ford. "Tudo está na mesa. Farei tudo o que for necessário." Embora Ford seja filiado ao Partido Progressista Conservador e Carney ao Partido Liberal, ambos representam, segundo o material disponível, uma rara unidade política canadense diante da pressão americana.
A escalada segue o colapso das negociações comerciais entre os dois países, e a divulgação formal das medidas de retaliação canadenses está prevista para esta manhã. O conteúdo exato das tarifas e os setores afetados ainda não foram tornados públicos.
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