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Economia 4 min read 2h ago

Baleares foge dos preços para Astúrias

  • No primeiro trimestre de 2025, 24% dos imóveis comprados por residentes das Baleares foram adquiridos em outras comunidades autônomas, com Astúrias como principal destino.
  • O metro quadrado nas Baleares chegou a €4.384 em junho — o mais caro da Espanha —, enquanto em Astúrias o valor médio é de €1.409/m².
  • As compras de imóveis nas Baleares caíram 20% até junho enquanto os preços subiram 16%, e o presidente do Coapi alerta que a tendência de êxodo imobiliário deve continuar.
Baleares foge dos preços para Astúrias
Baleares foge dos preços para Astúrias

O preço da habitação nas Ilhas Baleares atingiu um patamar que empurra seus próprios moradores para fora: no primeiro trimestre deste ano, um em cada quatro imóveis comprados por residentes do arquipélago foi adquirido em outra comunidade autônoma da Espanha. O destino preferido é Astúrias, uma região no norte do país com preços que chegam a ser três vezes menores.

Números que revelam uma anomalia

Entre janeiro e março, residentes nas Baleares compraram 716 imóveis em outros territórios, o equivalente a 24% do total de transações do período, segundo dados do Ministério da Habitação da Espanha. No ano anterior, essa proporção era de 21%, o que confirma uma tendência de aceleração. O índice coloca as Baleares como a segunda comunidade com maior proporção de compras fora de seu território, atrás apenas de Madri — que registra 32%, mas por razões distintas, ligadas à mobilidade laboral entre províncias vizinhas.

O contraste com o restante do país é expressivo. País Basco e Navarra aparecem em seguida, com 18% e 15% de compras externas, respectivamente. A Andaluzia, a maior comunidade do país, não chega a 3%. O fenômeno balear, portanto, não pode ser lido como reflexo de uma tendência geral de mobilidade dos compradores espanhóis.

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O metro quadrado mais caro da Espanha

Os dados do Colégio de Notários referentes a junho situam as Baleares como a comunidade mais cara de toda a Espanha: o metro quadrado é negociado a €4.384. Madri aparece em segundo lugar, com €3.864/m², seguida pelo País Basco (€3.083/m²). Catalunha e Ilhas Canárias dividem o quarto posto, a €2.516/m².

O efeito prático sobre o mercado local é severo. Até junho deste ano, as compras e vendas de imóveis nas Baleares caíram 20% enquanto os preços subiram 16% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com as estatísticas notariais. José Miguel Artieda, presidente do Colégio de Agentes da Propriedade Imobiliária das Baleares (Coapi), avalia que a capacidade econômica do comprador residente chegou ao limite. "Muita gente investe fora porque aqui os preços estão disparados e não pode fazê-lo", afirmou.

Astúrias, o novo destino dos baleares

No fluxo de saída das Baleares, Astúrias concentrou 15% de todas as compras realizadas em outra província no primeiro trimestre do ano — uma tendência que vem crescendo desde o fim da pandemia, segundo Artieda. O presidente do Coapi compara o fenômeno ao que representa Maiorca para os alemães: uma alternativa bem estabelecida, alimentada pelo boca a boca.

A equação é simples: enquanto um imóvel de 90 m² custa, em média, €394.560 nas Baleares, o mesmo espaço sai por aproximadamente €126.810 em Astúrias, onde o metro quadrado médio é de €1.409, de acordo com o Colégio de Notários. A região combina ainda, na avaliação do setor, temperaturas mais amenas e boas conexões aéreas com as ilhas.

No entanto, a pressão da nova demanda já começa a se fazer sentir em Astúrias. Artieda alertou que há sinais claros de tendência de alta nos preços locais, embora, por ora, o mercado asturiano ainda esteja muito distante dos patamares baleares.

Um mercado que exporta quem mora e importa quem compra

Artieda descreve um ciclo que se retroalimenta: as Baleares perdem compradores locais — muitos deles aposentados que optam por viver em regiões mais baratas — enquanto atraem compradores de mercados com alta capacidade aquisitiva, que pressionam os preços para cima e reduzem ainda mais as possibilidades dos residentes. Enquanto a escalada de preços não arrefecer, advertiu o presidente do Coapi, o exílio imobiliário balear tende a se aprofundar.

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