Schleich troca dívidas por ações
- A Schleich, fundada em 1935, prepara uma operação de troca de dívidas por participações acionárias já notificada às autoridades de concorrência da Alemanha e da Áustria.
- O faturamento da empresa caiu de 275 milhões de euros em 2022 para cerca de 220 milhões em 2024, após o boom da pandemia ceder espaço à queda na demanda e à inflação.
- O gestor de reestruturação Manfred Ziegler lidera a empresa desde 2025, enquanto o mercado global de brinquedos mostra sinais de recuperação.
A Schleich, fabricante alemã de brinquedos com 91 anos de história, conhecida mundialmente por figuras de animais, dinossauros e personagens de séries clássicas como "Biene Maja" e "Lucky Luke", está diante de uma mudança profunda na sua estrutura de propriedade. Segundo informações baseadas em círculos financeiros, credores da empresa deverão converter suas dívidas em participações acionárias — uma operação cujos planos já foram notificados às autoridades de concorrência da Alemanha e da Áustria.
Dívida convertida em capital como saída da crise
O mecanismo previsto é um chamado debt-to-equity swap: em vez de recuperar parte dos recursos emprestados, os credores passariam a deter fatias da própria Schleich. Atualmente, a empresa pertence ao investidor financeiro suíço Partners Group, que adquiriu a marca em 2019 com o objetivo declarado de expandir a presença internacional da empresa.
Queda de receita após o boom pandêmico
O ponto de inflexão foi o período pós-pandemia. Em 2022, a Schleich faturou 275 milhões de euros, impulsionada pelo crescimento extraordinário durante o isolamento. Nos anos seguintes, a demanda arrefeceu: consumidores retraíram os gastos em resposta à inflação e aos preços elevados, enquanto varejistas acumulavam estoques. Em 2023, o faturamento caiu 14%, para 235 milhões de euros. Em 2024, a queda teria continuado, com a receita chegando a cerca de 220 milhões de euros, de acordo com apuração baseada em fontes do setor financeiro.
Em resposta, a empresa adotou um programa severo de cortes. A sede histórica em Schwäbisch Gmünd — cidade onde a Schleich foi fundada em 1935 — foi abandonada. Desde o ano passado, o gestor de reestruturação Manfred Ziegler comanda as operações.
Mercado em recuperação, mas futuro ainda incerto
O setor dá sinais de melhora: as vendas globais de brinquedos voltaram a crescer de forma expressiva. A conversão de dívida em capital seria uma tentativa de dar fôlego financeiro à Schleich e criar condições para um recomeço. Se a marca conseguirá retomar uma trajetória sustentável de crescimento, porém, ainda é uma questão em aberto — e esse panorama lembra o debate mais amplo sobre como marcas culturais equilibram herança e pressão comercial.
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