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Negócios 3 min read 1h ago

Rolex e Cartier: como mantêm preços

  • A Suíça exportou 14,6 milhões de relógios em 2025, movimentando cerca de 27,8 bilhões de euros, queda de 1,7% em relação a 2024.
  • Rolex, Omega, Cartier e Patek Philippe, entre cerca de 450 marcas suíças, representam mais da metade do mercado varejista global de relógios.
  • A receita do setor nos primeiros seis meses de 2025 recuou apenas 0,7%, segundo a Federação da Indústria Relojeira Suíça, indicando possível estabilização.
Rolex e Cartier: como mantêm preços
Rolex e Cartier: como mantêm preços

Quatro marcas concentram mais da metade de um setor com cerca de 450 concorrentes. Rolex, Omega, Cartier e Patek Philippe dominam o varejo global de relógios suíços enquanto o setor registra leve retração: em 2025, a Suíça exportou 14,6 milhões de relógios, movimentando 24,4 bilhões de francos suíços — cerca de 27,8 bilhões de euros —, queda de 1,7% em relação a 2024, o equivalente a aproximadamente 740 mil unidades a menos.

Primeiro semestre aponta estabilização

Apesar da retração anual, os números do primeiro semestre de 2025 sugerem desaceleração da queda. Segundo a Federação da Indústria Relojeira Suíça, a receita acumulada entre janeiro e junho atingiu 12,8 bilhões de francos, com recuo de apenas 0,7% em relação ao mesmo período do ano anterior — sinal de que o setor pode estar se estabilizando após meses de pressão.

Concentração como estratégia de valor

O mercado de relógios de luxo enfrenta uma limitação estrutural: o tamanho do pulso do comprador. A demanda por peças de alta relojoaria não cresce de forma irrestrita, o que torna o prestígio de marca e a fidelização instrumentos centrais para sustentar preços elevados. Nesse ambiente, os grandes grupos avançaram sobre os menores, acumulando fatia crescente do varejo. Em um universo de aproximadamente 450 marcas suíças, Rolex, Omega, Cartier e Patek Philippe respondem, juntas, por mais de metade das vendas no varejo global.

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Colecionadores e o apelo do raro

O segmento de colecionadores representa outra dimensão estratégica do negócio. Peças com história própria atingem cotações muito acima do preço de tabela, e o apelo de determinados modelos sustenta esse mercado paralelo. O Cartier Crash, lançado em 1967 em Londres com visual que remete à obra de Salvador Dalí, ilustra esse fenômeno: versões do modelo chegam a ser avaliadas em 1,7 milhão de euros. Não por acaso, cofres especializados nos Alpes suíços foram projetados para guardar exatamente esse tipo de ativo de luxo de alto valor.

A combinação de escassez calculada, herança histórica e concentração progressiva de mercado explica, em grande medida, por que as principais marcas suíças conseguem sustentar — e em muitos casos elevar — os preços de seus relógios mesmo em períodos de retração das exportações.

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