VW: sindicato exige futuro sem cortes
- A presidente do conselho de fábrica da VW, Daniela Cavallo, rejeitou categoricamente fechamentos de plantas e exigiu perspectivas que vão além de cortes de custos.
- O ministro-presidente da Baixa Saxônia, Olaf Lies, pediu tarifas europeias sobre híbridos chineses e denunciou a falta de competitividade nos custos de energia na Alemanha.
- A partir desta terça-feira, nove assembleias de trabalhadores acontecerão até o fim de agosto; o futuro de quatro fábricas e até 50 mil empregos ainda é incerto.
A presidente do conselho de fábrica da Volkswagen, Daniela Cavallo, deixou claro na véspera das assembleias de trabalhadores que começam nesta terça-feira: fechamentos de plantas estão fora de cogitação. Em visita ao complexo industrial de Hanôver ao lado do ministro-presidente da Baixa Saxônia, Olaf Lies (SPD), Cavallo afirmou que sua posição é inequívoca. "Conquistamos uma garantia de emprego e continuaremos a lutar para que as mudanças ocorram de forma socialmente responsável", declarou ela na segunda-feira à noite.
Altersteilzeit no centro das negociações
Entre as condições inegociáveis para Cavallo está a manutenção do regime de trabalho em tempo parcial para pré-aposentadoria — conhecido na Alemanha como Altersteilzeit. Segundo ela, se esse benefício for suprimido, "teremos de falar sobre outras medidas" — mas para isso ela, como membro do sindicato IG Metall, não estaria disponível. A líder sindical também cobrou da cúpula do grupo perspectivas de futuro que não se resumam a "reduções de custos".
Lies defende tarifas e competitividade energética
O ministro-presidente Olaf Lies foi além das questões internas ao grupo e apontou lacunas na política industrial europeia. Além das tarifas já vigentes sobre veículos elétricos importados da China, Lies defendeu a extensão das cobranças aos carros híbridos. O governante também classificou os custos de energia na Alemanha como incompatíveis com a competitividade industrial e exigiu a continuidade do chamado Niedersächsischer Weg — acordo político-sindical que implica manter todas as unidades da VW na Baixa Saxônia.
Nove assembleias e um plano de cortes por revelar
A primeira de nove assembleias de trabalhadores programadas até o fim de agosto ocorre nesta terça-feira em Wolfsburg, onde se espera que a diretoria apresente detalhes dos planos de austeridade. O presidente-executivo Oliver Blume já havia anunciado na primavera do hemisfério norte uma intensificação significativa dos cortes. Desde então, pairam dúvidas sobre o futuro de quatro fábricas — entre elas as de Emden e Hanôver — e de até 50 mil postos de trabalho adicionais. Os termos exatos das medidas que o grupo pretende adotar permanecem sem confirmação oficial. A pressão sobre a indústria automobilística alemã também se reflete em outros movimentos do setor.
O desfecho das assembleias desta semana deverá indicar se há espaço para acordo entre a diretoria e o funcionalismo — ou se o impasse que marcou o fim de 2024 voltará a se acirrar num momento em que a VW busca recuperar competitividade em um mercado global em rápida transformação.
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