⏳ Curating articles…
Política 5 min read 44m ago

Saxônia-Anhalt: 'Já chega!', diz eleitor

  • A AfD lidera as pesquisas em Saxônia-Anhalt com 40%, ante 23% da CDU, a uma semana de eleição que pode resultar no primeiro governo estadual de extrema direita na história da
  • O sentimento dominante entre os eleitores ouvidos em campo é de frustração com promessas políticas quebradas, politica migratória e deterioração econômica — um 'voto contra' que
  • A CDU exclui coalizão com a AfD e tem resolução contra parceria com Die Linke, criando um impasse aritmético que pode tornar qualquer governo pós-eleitoral politicamente
Saxônia-Anhalt: 'Já chega!', diz eleitor

A uma semana das eleições estaduais em Saxônia-Anhalt, a AfD registra 40% nas pesquisas da Forschungsgruppe Wahlen, contra 23% da CDU — números que colocam a Alemanha diante de uma perspectiva inédita desde a fundação da República Federal: um estado governado por um partido classificado em parte como de extrema direita. Em viagem pelas cidades de Halberstadt, Stendal e Magdeburgo, o que se ouviu repetidamente dos eleitores foi uma variação da mesma frase: "Jetzt reicht es uns!" — em português, "Agora já chega!"

Frustração, não identidade regional

O que surpreende na percepção colhida nas ruas é que o fenômeno transcende o histórico fosso leste-oeste. Os temas que mobilizam os eleitores de Saxônia-Anhalt — promessas políticas quebradas, deterioração econômica, política migratória e segurança interna — são praticamente os mesmos que emergem em conversas com moradores da Renânia do Norte-Vestfália ou de Baden-Württemberg. O impulso em direção à AfD parece ser mais um voto de protesto do que uma adesão programática: é mais um "contra" do que um "a favor".

Merz, não Siegmund, domina o debate local

Apesar da cobertura midiática concentrada no candidato da AfD, Ulrich Siegmund, 35 anos, e no atual ministro-presidente da CDU, Sven Schulze, 47, os dois nomes foram mencionados surpreendentemente pouco pelos eleitores nas praças e ruas. Quem dominou as conversas foi o chanceler federal Friedrich Merz, 70 anos, citado repetidamente como motivação central por eleitores inclinados à AfD. Ainda assim, quando a pergunta é direta sobre quem deve liderar o estado, 48% dos entrevistados escolhem Schulze e apenas 32% escolhem Siegmund. E 50% preferem um governo sob liderança da CDU, contra 35% que optariam pela AfD.

Advertisement
Ad Unit · 728×90 / Responsive

As pesquisas revelam ainda um empate técnico na percepção de competência econômica: tanto CDU quanto AfD são citadas por 27% dos eleitores como o partido mais apto a resolver os problemas econômicos do estado. No tema de refugiados e asilo, a AfD lidera com 36% de confiança, ante menos da metade para a CDU.

O caso do professor e os conflitos no cotidiano

A polarização já ultrapassa o debate político e penetra escolas, associações e famílias. Na cidade de Arneburg, próxima a Stendal, o professor de artes manuais Max Heckel, 40 anos, foi interpelado por alunos sobre sua posição em relação à AfD. Ao não esconder sua rejeição ao partido, foi denunciado e recebeu uma advertência formal. O caso chegou à Justiça e tornou-se um símbolo dos conflitos que a ascensão da AfD está gerando no ambiente escolar e social. A presença de lideranças nacionais em Saxônia-Anhalt também tem intensificado esse clima nas semanas anteriores à eleição.

A questão russa e o dinheiro da Ucrânia

Em uma manifestação em Halberstadt em agosto, parte dos presentes defendia a Rússia abertamente, elogiava Putin e reproduzia narrativas da propaganda russa. Outros rejeitavam a invasão da Ucrânia mas expressavam temor de uma escalada com uso de armas nucleares russas e de um aprofundamento do envolvimento alemão no conflito. O denominador comum era a questão financeira: o dinheiro enviado pelo atual e pelo anterior governo federal à Ucrânia, contrastado com cortes em serviços de saúde, benefícios sociais e reformas previdenciárias, é percebido como profundamente injusto por parcelas crescentes da população.

O que acontece depois das urnas

Qualquer que seja o resultado no próximo fim de semana, o cenário pós-eleitoral se anuncia instável. Se a AfD vencer mas não governar, a tensão promete ser explosiva. A CDU exclui coalização com a AfD, mas também tem deliberação partidária contra parceria com Die Linke — o que tornaria matematicamente difícil formar governo sem apoio ou tolerância dessa legenda, gerando enorme custo político interno. O termo "Brandmauer" — a muralha de contenção à AfD — provoca irritação crescente entre os eleitores de Saxônia-Anhalt. A pergunta de como lidar com um partido que já atinge 40% nas pesquisas não terá resposta fácil, independentemente do que as urnas decidirem.

Temas

Ascensão da AfDEleições Estaduais AlemãsPolítica de Extrema Direita

Pessoas

Lugares

Saxônia-Anhalt
Advertisement
Ad Unit · 300×250 / Responsive

More in Política

Read in another language

← Home