Rosebank: custo climático supera ganhos
- Uma análise estima que os danos climáticos de Rosebank e Jackdaw chegarão a até £336 bilhões nas próximas décadas, superando em muito os £28,7 bilhões de benefício projetados pela
- A Adura, empresa de combustíveis fósseis promotora dos projetos, defende que o desenvolvimento dos campos geraria £28,7 bilhões em valor para a economia britânica.
- O governo do Reino Unido ainda não decidiu se autoriza o desenvolvimento dos dois campos de petróleo e gás no Mar do Norte.
O desenvolvimento dos campos de petróleo e gás de Rosebank e Jackdaw, no Mar do Norte, geraria danos climáticos estimados entre £119 bilhões e £336 bilhões nas próximas décadas — um valor que supera entre quatro e doze vezes os £28,7 bilhões em benefícios econômicos projetados pela Adura, empresa de combustíveis fósseis que promove os projetos. É o que aponta uma análise divulgada enquanto o governo britânico ainda delibera sobre autorizar as concessões.
Números em confronto
A Adura defende que o aproveitamento das reservas traria £28,7 bilhões em valor para a economia do Reino Unido. A análise, porém, calcula que o custo econômico decorrente da poluição de carbono gerada pelo petróleo e gás extraídos seria substancialmente maior do que esse benefício projetado. O estudo trata os danos climáticos como externalidades econômicas mensuráveis, não apenas como impactos ambientais abstratos.
Decisão ainda pendente em Londres
O governo britânico não anunciou uma decisão final sobre os dois campos. A indefinição ocorre num momento em que o debate sobre os custos reais do setor fóssil se intensifica em toda a Europa. Seis países da União Europeia já pressionam por um imposto sobre os lucros das petroleiras, sinalizando que a viabilidade política e financeira de novos projetos de exploração está cada vez mais contestada no continente.
O argumento central da análise é que aprovar Rosebank e Jackdaw sem contabilizar o preço da poluição de carbono equivale a transferir um custo muito superior aos benefícios para gerações futuras. Estimativas independentes já apontam que ondas de calor podem custar até €180 bilhões ao PIB europeu, reforçando a tese de que ignorar externalidades climáticas distorce qualquer análise de custo-benefício energético.
A análise não encerra o debate político, mas desafia diretamente a premissa econômica usada para justificar os novos campos: a de que seu desenvolvimento seria vantajoso para o Reino Unido.
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