León celebra o Ano Gaudí com dois monumentos únicos fora da Catalunha
- A província de León abriga duas das três únicas obras que Antoni Gaudí projetou fora da Catalunha: o Palácio Episcopal de Astorga e a Casa Botines na capital.
- As duas edificações leonesas são celebradas no contexto do Ano Gaudí, que reaviva o interesse pela obra do arquiteto catalão (1852–1926) em todo o território espanhol.
- A terceira obra principal de Gaudí fora da Catalunha é a vila El Capricho, em Comillas, completando um conjunto de três monumentos espalhados pelo norte da Espanha.
Quem chega a Astorga pela primeira vez costuma parar no meio da rua com a cabeça erguida. No coração desta cidade leonesa — etapa clássica do Caminho de Santiago e detentora de um rico patrimônio arqueológico romano — ergue-se um palácio de conto de fadas que nada parece dever à paisagem medieval ao seu redor. A surpresa tem nome e sobrenome: é uma das duas obras que o arquiteto catalão Antoni Gaudí (1852–1926) projetou na província de León, e ambas estão no centro das celebrações do chamado Ano Gaudí.
Duas obras, uma concentração excepcional
O Palácio Episcopal de Astorga — o "palácio de conto" que desconcerta os viajantes menos avisados — convive com a velha catedral gótica da cidade como se pertencessem a universos distintos. A poucos quilômetros dali, na capital leonesa, está a Casa Botines, também conhecida como Casa do Dragão pelas referências ao animal mitológico que marcam sua fachada. Juntas, as duas edificações formam uma concentração rara: o gênio do modernismo que concebeu a Sagrada Família de Barcelona deixou apenas três obras principais fora da Catalunha. Duas estão em León; a terceira é a vila El Capricho, em Comillas.
Um legado fora do eixo catalão
A existência desses edifícios em terras leonesas resulta de encomendas privadas e eclesiásticas que Gaudí recebeu no final do século XIX, quando sua fama ainda não havia ultrapassado de forma definitiva as fronteiras da Catalunha. Hoje, porém, são monumentos de referência nacional, capazes de transformar Astorga e León em destinos de arquitetura por direito próprio. O Ano Gaudí oferece a ocasião para revisitar esse legado fora do eixo barcelonês e reconhecer, nas margens do Caminho de Santiago, uma faceta menos conhecida — mas igualmente surpreendente — do maior arquiteto do modernismo ibérico.
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