Leão XIV encontra saxofonista do filme
- O papa Leão XIV e o saxofonista Blue Lou Marini se encontraram no Meeting de Rimini 2026 em um momento não previsto na agenda oficial do pontífice.
- Os dois trocaram presentes: Leão XIV ofereceu rosários ao músico e à esposa; Marini entregou ao papa óculos Ray-Ban iguais aos usados no filme de 1980.
- Fotos de arquivo mostram o próprio Prevost nos anos 70 com estética similar à dos Blues Brothers, evidenciando sua afinidade com a banda desde a juventude.
Na margem do Adriático, durante o Meeting de Rimini 2026 — grande encontro cultural de inspiração católica —, o papa Leão XIV realizou um dos sonhos de sua juventude: conheceu pessoalmente Blue Lou Marini, o saxofonista da The Blues Brothers Band. O encontro, confirmado pelo Vatican News, não estava previsto na agenda oficial do pontífice, mas aconteceu nos bastidores do evento, onde Marini participava ao lado do grupo Blues4People.
Rosários e Ray-Ban: a troca de presentes
O momento ganhou contornos simpáticos com a troca de presentes entre os dois. Leão XIV — nascido Robert Prevost, agostiniano de Chicago — entregou a Marini e à sua esposa dois rosários. O músico, por sua vez, ofertou ao papa um par de óculos Ray-Ban, idêntico ao usado pelos membros da banda no filme de 1980. A escolha do presente não foi aleatória: fotos de arquivo mostram o próprio Prevost nos anos 70 vestindo traje clerical, chapéu fedora e óculos escuros negros — a mesma estética icônica da dupla Jake e Elwood Blues. Marini lamentou não ter tido tempo de gravar uma inscrição sobre as lentes: a frase que tinha em mente era "Papa Cool".
Uma comédia que dividiu e um papa que admirava
Lançado em 1980 e baseado nos personagens que John Belushi e Dan Aykroyd criaram para o Saturday Night Live, The Blues Brothers foi um sucesso de bilheteria, mas também levantou críticas por suas piadas envolvendo a religião e figuras religiosas. Entre os que não se contavam no grupo dos críticos estava, ao que indicam as evidências, o jovem Prevost. O filme reúne uma constelação de talentos da música norte-americana: James Brown, Ray Charles, Aretha Franklin — que interpreta Think com Marini ao saxofone —, Steve Cropper, Donald Duck Dunn (da Booker T & The M.G.'s) e John Lee Hooker. A película culmina com uma interpretação coletiva de Everybody Needs Somebody to Love.
Uma missão, dois contextos
No filme, Jake e Elwood Blues justificam toda a sua peregrinação musical com uma frase que virou referência cultural: "Estamos em uma missão de Deus". A coincidência entre essa premissa fictícia e o pontificado de Leão XIV não passou despercebida. O encontro em Rimini coloca, lado a lado, dois homens cuja trajetória passou — de formas muito distintas — pela mesma cidade de Chicago e pelo mesmo imaginário cultural dos anos 70 e 80. Que a cena tenha ocorrido sem protocolo prévio diz algo sobre a natureza do Meeting de Rimini: um espaço onde cultura e fé podem, ocasionalmente, partilhar o mesmo corredor. Assim como a música pop e o papado partilharam, por alguns minutos, um par de óculos escuros.
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