⏳ Curating articles…
Mundo 4 min read 1h ago

Espanha cria mando único para Ceuta

  • O governo espanhol decretará situação de interesse de Segurança Nacional em Ceuta e criará um mando único liderado pelo ministro Ángel Víctor Torres, quase 30 dias após o início
  • Mais de 70 mil pessoas cruzaram a cerca de El Tarajal; milhares permanecem sem abrigo, sem alimentação garantida e com casos de doenças infecciosas detectados entre eles.
  • O governo anunciou também a ampliação extraordinária do Plano de Desenvolvimento Socioeconômico de Ceuta, dotado com 354 milhões de euros, para compensar o impacto da crise no
Espanha cria mando único para Ceuta
Espanha cria mando único para Ceuta

Quase trinta dias depois de mais de 70 mil pessoas cruzarem a cerca de El Tarajal, o governo espanhol anunciou que decretará a declaração de situação de interesse de Segurança Nacional em Ceuta e criará um mando único para gerir a crise migratória na cidade autônoma. A medida, que será formalizada pelo Conselho de Ministros, chega tarde — e essa demora é reconhecida, implicitamente, pelo próprio governo.

O que foi anunciado

O vice-presidente primeiro e ministro da Economia, Carlos Cuerpo, em sua primeira visita a Ceuta desde o início da crise, antecipou ontem duas decisões que o governo adotaria nesta data. A primeira: na reunião do Conselho de Segurança Nacional convocada pelo presidente Pedro Sánchez, seria decretada a situação de interesse de Segurança Nacional e criado um mando único para a gestão da crise, chefiado pelo ministro de Política Territorial, Ángel Víctor Torres. A segunda: o governo oferece uma ampliação extraordinária do Plano Integral de Desenvolvimento Socioeconômico de Ceuta, criado em 2022 com dotação de 354 milhões de euros, dos quais mais de 180 milhões já foram mobilizados, segundo Cuerpo.

Torres coordenará a resposta junto a um comitê de especialistas que inclui o presidente da cidade autônoma, Juan Jesús Vivas, o delegado do governo, o CNI e os ministérios envolvidos. A lei de Segurança Nacional exige que a declaração de mando único seja aprovada por real decreto, com definição da crise, âmbito geográfico, duração, nomeação da autoridade funcional e delimitação de competências. O alcance exato da gestão que Torres assumirá — dadas as competências limitadas da própria Ceuta — seria conhecido com a publicação do decreto.

Advertisement
Ad Unit · 728×90 / Responsive

Uma resposta tardia

O presidente Vivas havia solicitado a criação de uma autoridade única logo nos primeiros dias da crise, pedido que, segundo o relato disponível, foi ignorado pelo governo central. A aposta inicial dos ministros responsáveis pela pasta da segurança e das relações exteriores era de que as pessoas entradas sem autorização retornariam ao Marrocos e que a crise se resolveria sem confrontar o país vizinho. Essa estratégia não funcionou. A crise de Ceuta expôs fraturas profundas na política migratória espanhola e os migrantes permaneceram na cidade.

Milhares deles continuam sem abrigo e, em muitos casos, sem alimentação garantida. Diversas fontes detectaram casos de doenças infecciosas entre essa população, o que torna ainda mais urgente a criação de locais para acolhê-la e controlar seu estado de saúde, conforme indicado no material disponível.

O impacto econômico e o reconhecimento do governo

Cuerpo reconheceu que comerciantes e o setor turístico de Ceuta já sentem as consequências da crise, e que o governo monitorou a atividade econômica e o consumo na cidade. Sem apresentar cifras ou prazos concretos para a ampliação do plano econômico, o ministro afirmou que será necessário ouvir os agentes sociais e econômicos locais para dimensionar as necessidades. "Somos conscientes de que os cidadãos ceutíes lo están pasando mal e devem sentir o Estado", declarou.

A estratégia descrita por Cuerpo divide a resposta em uma "terceira fase", centrada na repatriação de imigrantes, no acolhimento adequado de menores e na resolução dos pedidos de asilo — além de garantir que a crise "não passe fatura" à cidade. O alerta sanitário e as tensões diplomáticas gerados pela chegada em massa já colocaram Ceuta sob pressão em múltiplas frentes simultaneamente.

A criação tardia do mando único representa, em essência, a admissão de que a gestão fragmentada dos primeiros meses foi insuficiente para conter uma crise que, ao completar quase trinta dias, ainda não tem prazo definido de resolução.

Advertisement
Ad Unit · 300×250 / Responsive

More in Mundo

Read in another language

← Home