La Guaira retoma o trabalho após sismos
- Dois meses após os terremotos de junho em La Guaira, moradores retomam atividades econômicas informais entre os escombros, sem aguardar reconstrução formal.
- Alejandra, que perdeu casa e salão de beleza, instalou um posto de manicure sob uma lona em Catia La Mar, epicentro do segundo sismo.
- O turismo, pilar da economia local, permanece ausente, e mercados provisórios substituem os estabelecimentos destruídos na região costeira venezuelana.
Duas semanas depois de perder a casa e a salão de beleza, Alejandra voltou a trabalhar. Não o fez em um estabelecimento reconstruído, mas debaixo de uma lona instalada na Playa Verde, em Catia La Mar — epicentro do segundo terremoto que sacudiu o estado venezuelano de La Guaira em junho passado. Com um pequeno posto de manicure e pedicure, ela passou a atender os vizinhos que, como ela, tentam reerguer a rotina entre os escombros.
Trabalho como forma de reconstrução
"Montei minha lona para oferecer meus serviços à comunidade. Com trabalho podemos nos recuperar, e também podemos ajudar a comunidade neste momento tão difícil", disse Alejandra. A frase resume o estado de espírito de parte dos moradores de La Guaira dois meses após os tremores: sem esperar pela reconstrução formal, muitos retomaram atividades informais nos espaços disponíveis — praias, calçadas e terrenos abertos.
Mercados improvisados e comércio sem teto
No mercado El Mosquero, em Maiquetía, a venda de peixe continuou mesmo com parte das estruturas comprometidas. Fora do Mercado Comunitário de Catia La Mar, feiras temporárias foram instaladas para suprir a lacuna deixada pelos estabelecimentos destruídos. Prédios que abrigavam comércios aparecem com fachadas comprometidas, e o turismo — atividade econômica central para a região costeira — permanece ausente.
Recuperação incerta
A extensão total dos danos e o prazo para uma recuperação mais ampla ainda são incertos. O que os relatos revelam é uma população que não aguarda respostas institucionais para sobreviver: a retomada do trabalho é, ela mesma, o primeiro ato de reconstrução. A situação em outras partes da Venezuela afetada pelos terremotos também revela um país que tenta se reerguer sob condições adversas, com escassez de recursos e infraestrutura fragilizada como pano de fundo permanente.