Banaszak critica capa do Spiegel sobre AfD e relata confronto em campanha
- Felix Banaszak chamou de 'pornografia do horror' a capa do Spiegel que rotulou Ulrich Siegmund de 'homem mais perigoso da Alemanha', argumentando que a abordagem não produz o
- O líder dos Verdes relatou um confronto físico durante a campanha em que um eleitor da AfD gritou a pouquíssima distância e chegou a levantar o braço de forma ameaçadora.
- Banaszak criticou Siegmund por transformar a polêmica capa da revista em instrumento de campanha, autografando exemplares para apoiadores, e reafirmou que não pretende abandonar o
O presidente dos Verdes alemães, Felix Banaszak, de 36 anos, criticou abertamente a capa da revista Spiegel que chamou o político da AfD Ulrich Siegmund, de 35 anos, de "o homem mais perigoso da Alemanha". Em entrevista à apresentadora Pinar Atalay, Banaszak classificou a escolha editorial como contraproducente: "Não estou nada convencido dessa capa, porque ela não produz o efeito que seria necessário agora. É pornografia do horror. Não alcança ninguém."
Crítica ao Spiegel — e ao aproveitamento da AfD
O líder dos Verdes deixou claro, porém, que sua crítica à revista não implica subestimar o risco representado pela AfD, partido que ele qualificou como "anticonstitucional". "Não faço parte das pessoas que minimizam o perigo que emana de um partido contrário à Constituição", afirmou Banaszak. Segundo ele, o candidato principal da AfD na Saxônia-Anhalt pode não provocar medo à primeira vista, mas por trás de Siegmund estão figuras como um militante do partido que, segundo Banaszak, teria agredido com um taco de beisebol um jovem de 14 anos que arrancava cartazes de campanha. "Não quero que a Saxônia-Anhalt seja governada por pessoas assim", declarou.
O político também manifestou irritação com a reação de Ulrich Siegmund, que teria rapidamente transformado a polêmica capa em instrumento de campanha — chegando a autografar exemplares da revista adquiridos às pressas para seus apoiadores. "Não gosto dessa capa, mas também não gosto de banalização", disse Banaszak, visivelmente incomodado, acrescentando que tampouco aprecia "esse teatrinho" do político da AfD ao explorar a repercussão de forma que descreveu como pretensamente soberana.
Confronto físico durante a campanha
Em um dos momentos mais reveladores da entrevista, Banaszak relatou uma situação de tensão vivida durante a campanha. Em imagens exibidas pelo canal ntv, um homem aparece gritando a pouquíssima distância do rosto do político: "Seu nome está gravado na minha cabeça!". O líder dos Verdes reconheceu que a cena foi mais ameaçadora do que parece: "Isso soa mais como história de herói do que de fato foi. Ninguém precisa se preocupar comigo. Mas foi uma situação bastante tensa. O homem chegou a levantar o braço, e poderia ter dado errado. Mas estou em uma situação de privilégio absurdo: naquela noite, se eu não me sentisse bem, podia ir embora. Outros não podem. Eles vivem lá."
Banaszak defendeu sua opção de fazer campanha em contato direto com os eleitores, sem o distanciamento de um palco. "Encontro direto em um país onde 40, 45 por cento consideram votar em um partido anticonstitucional significa que as coisas podem se tornar mais confrontadoras. Não vou desistir de ninguém de antemão", afirmou. O político acrescentou que só pôde participar do CSD em Neustrelitz por contar com escolta policial — proteção que, ressaltou, não está sempre disponível para ele.