Mette-Marit na sombra, Ingrid emerge
- Mette-Marit iniciou o reinado a recuperar de um transplante de pulmão realizado em junho de 2026, com Haakon a admitir que a esposa terá um longo período de convalescença.
- O filho da rainha, Marius Borg Høiby, foi condenado em março a quatro anos de prisão por dois crimes de violação, mas a sentença não é definitiva devido a recurso em curso.
- Com a rainha limitada na agenda representativa, a princesa herdeira Ingrid Alexandra, 22 anos, assumiu funções protocolares de relevo desde as primeiras horas do reinado de Haakon
Com a morte do rei Harald V, aos 89 anos, no dia 28 de agosto, a Noruega estreou um novo capítulo da sua monarquia — mas a rainha Mette-Marit, 53 anos, chega ao mais alto posto da realeza escandinava carregando um peso considerável: problemas de saúde graves, um escândalo ligado ao criminoso sexual Jeffrey Epstein e a condenação do filho por violação.
Um reinado que começa na convalescença
No dia 17 de junho, o palácio real revelou que Mette-Marit foi submetida a um transplante de pulmão com órgão de dador. A recuperação é lenta: em 19 de julho, o próprio rei Haakon VIII admitiu, à margem de um evento, que a esposa ainda tem "um caminho bastante longo pela frente até voltar a ser totalmente ela mesma". A rainha não terá, portanto, condições imediatas para assumir uma agenda representativa plena nos primeiros meses do reinado.
A sombra de Epstein e o filho condenado
A isso somam-se duas crises de reputação. Entre 2011 e 2014, Mette-Marit manteve uma relação de amizade com Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Em 2013, passou vários dias na propriedade do americano em Palm Beach. Em março de 2026, numa entrevista televisiva, a rainha afirmou que Epstein a "manipulou e enganou" — declaração que, segundo observadores, foi recebida com ceticismo por parte do público norueguês, que a interpretou como uma tentativa de se isentar de responsabilidade.
Paralelamente, Marius Borg Høiby, 29 anos, filho de Mette-Marit de uma relação anterior ao casamento com Haakon, foi condenado em março a quatro anos de prisão por dois crimes de violação. Cumpre prisão preventiva em regime de medidas restritivas no castelo de Skaugum, podendo sair apenas com pulseira eletrónica. A sentença não é ainda definitiva, uma vez que Marius recorreu da decisão.
Ingrid Alexandra, a aposta da monarquia
É neste contexto de fragilidade da rainha que Ingrid Alexandra, 22 anos, nova princesa herdeira, começa a ganhar relevo. Poucas horas após a morte do avô, a jovem surgiu ao lado do pai durante os atos de representação, assumindo funções protocolares que cabem à herdeira do trono. De acordo com as regras da casa real, Ingrid Alexandra é a substituta oficial do rei e pode assumir as suas obrigações sempre que ele esteja impedido.
A especialista em realeza norueguesa Caroline Vagle, da revista "Se og Hør", afirmou que "para Mette-Marit, este será um período extremamente difícil" e que o rei Haakon "terá agora de crescer para um novo papel com mais responsabilidade", tal como a própria filha. Em vida, o rei Harald elogiava publicamente a neta, descrevendo-a como próxima e empática — qualidades que a monarquia norueguesa necessita precisamente agora.
Uma transição delicada
A conjugação de uma rainha em recuperação pós-transplante, associada a episódios que fragilizaram a sua imagem pública, pode tornar Ingrid Alexandra na figura feminina central da monarquia norueguesa no período imediato — ainda que, sublinhe-se, de forma complementar e não em oposição à mãe. A solidez da nova geração real será posta à prova à medida que o país processa o luto pelo rei Harald e acompanha a instalação do reinado de Haakon VIII.
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