Armênia inicia pedido de adesão à UE
- O primeiro-ministro Nikol Pashinián anunciou no Parlamento que a Armênia iniciará em breve o processo de pedido formal de adesão à União Europeia.
- Erevan havia evitado esse passo até agora enquanto tentava aproximar-se de Bruxelas sem romper com Moscou.
- O calendário exato do processo e a resposta da Rússia ao anúncio ainda não foram detalhados.
A Armênia está prestes a dar um passo histórico em sua política externa. O primeiro-ministro Nikol Pashinián anunciou no Parlamento que o governo armenio iniciará em breve o processo de apresentação de um pedido formal de adesão à União Europeia — uma medida que Erevan havia sistematicamente evitado até agora, enquanto tentava aproximar-se de Bruxelas sem romper definitivamente com Moscou.
Mudança de rota após anos de equilíbrio
Durante anos, a Armênia manteve uma postura deliberadamente ambígua: buscava construir laços mais estreitos com a União Europeia, mas recusava-se a formalizar qualquer candidatura, em parte para não provocar uma reação direta da Rússia, potência com influência histórica e militar significativa sobre Erevan. O anúncio de Pashinián representa uma ruptura clara com essa linha de cautela. O calendário exato do processo de candidatura, porém, não foi detalhado pelo governo armenio.
Pressão russa como pano de fundo
A decisão ocorre em um contexto de crescente afastamento entre Erevan e Moscou. A Rússia, que enfrenta pressões crescentes no tabuleiro geopolítico internacional, exerceu por décadas influência determinante sobre a Armênia — inclusive por meio de acordos de segurança e presença militar no território armenio. A disposição do governo de avançar formalmente com a candidatura à UE, mesmo diante dessa pressão, sinaliza uma reorientação estratégica em curso. A resposta concreta de Moscou ao anúncio permanece, por ora, indefinida.
O movimento armenio reforça uma tendência mais ampla de nações do espaço pós-soviético que buscam ancoragem no bloco europeu em meio à instabilidade regional. Os próximos passos formais do processo de adesão — e a reação das capitais europeias à candidatura — serão determinantes para avaliar a viabilidade e o ritmo dessa aproximação.