Automóveis

Volkswagen em crise: Oliver Blume e Helena Wisbert alertam para cortes insuficientes

A professora de economia automóvel Helena Wisbert, da Ostfalia Hochschule Wolfsburg, considera que a Volkswagen precisa de agir com urgência para superar a crise, advertindo que as economias de custos já atingidas de 20% ficam abaixo do exigido pela administração.

Escrito por Lucas Costa

(há 2 h)

3 min de leitura

Em desenvolvimento

O que aconteceu?

Helena Wisbert, da Ostfalia Hochschule Wolfsburg, alertou que a Volkswagen deve implementar rapidamente os programas de austeridade para superar a crise e focar em novos modelos e tecnologias.

Por que importa

Trabalhadores de quatro fábricas — Emden, Zwickau, Neckarsulm e Hannover — temem pelo emprego, enquanto a administração considera as economias de 20% já alcançadas insuficientes.

A Volkswagen enfrenta uma crise que, segundo a especialista em economia automóvel Helena Wisbert, da Ostfalia Hochschule Wolfsburg, exige ação imediata. "Os programas de austeridade que vemos agora em todos os fabricantes automóveis são inevitáveis", declarou a professora, sublinhando que quanto mais depressa as medidas forem implementadas, mais cedo o grupo poderá concentrar-se no desenvolvimento de novos modelos e tecnologias.

No plano competitivo, Wisbert reconhece que os fabricantes alemães ainda dominam o mercado europeu, mas adverte que as quotas de mercado nos veículos elétricos estão a encolher também aqui. Depois de tudo o que foi feito para recuperar competitividade no mercado chinês, defende a especialista, o mercado europeu não pode ser descurado.

Quatro fábricas e dezenas de milhares de postos em risco

Nas últimas semanas realizaram-se assembleias extraordinárias em vários locais do grupo, onde os trabalhadores exigiram respostas sobre o endurecimento do plano de contenção de custos. Entre a força de trabalho, o receio centra-se em dezenas de milhares de postos adicionais e em quatro unidades inteiras: Emden, Zwickau, a fábrica da Audi em Neckarsulm e Hannover, onde se produzem veículos comerciais.

A própria administração reconheceu que o corte de 50 000 postos de trabalho previsto até 2030 e as reduções de custos já alcançadas nas fábricas não são suficientes, e que por isso a equipa liderada pelo presidente Oliver Blume trabalha num novo "Zielbild 2030". "A situação é mais do que crítica", disse Blume no arranque das assembleias de trabalhadores, acrescentando que a empresa obtém lucros, mas insuficientes para financiar o futuro.

Comunicação da administração vista com reservas

Wisbert considerou positivo o facto de os membros da administração terem falado pessoalmente com os trabalhadores, depois de a informação ter chegado até então apenas por via indireta. Ainda assim, afirmou que dizer à força de trabalho dos locais em risco que "todos têm de arregaçar as mangas numa esforço conjunto" lhe parece "difícil". "São antes palavras para preparar a gestão para aceitar cortes nos bónus", disse a professora.

Quanto ao futuro próximo, a especialista estima que a reunião do conselho de supervisão prevista para sexta-feira, 4 de setembro, deverá ver o conselho de administração apresentar um plano de austeridade revisto, podendo o órgão de fiscalização aprovar medidas avulsas. No entanto, Wisbert não espera soluções concretas para fábricas individuais, dado o novo prazo de seis a doze meses fixado para encontrar respostas.

Temas

Indústria AutomóvelReestruturação IndustrialVeículos Elétricos

Pessoas

Helena WisbertOliver Blume

Organizações

Volkswagen

Fonte: Heise

Ler em outro idioma

← Início