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Chrome apaga extensões MV2 em agosto

  • Em 31 de agosto de 2026, o Chrome Web Store remove as listagens restantes de extensões Manifest V2, mas as extensões já foram definitivamente desativadas no Chrome com o
  • O uBlock Origin original não funciona mais no Chrome; a versão MV3, chamada uBlock Origin Lite, oferece bloqueio mais limitado, enquanto a versão completa continua disponível no
  • A Microsoft anunciou em 7 de agosto de 2026 que o Edge também iniciará a transição para longe do MV2 ainda em 2026, deixando o Firefox como único grande navegador comprometido com
Chrome apaga extensões MV2 em agosto

O Chrome Web Store vai retirar as últimas listagens de extensões no formato Manifest V2 em 31 de agosto de 2026 — mas quem usa o Chrome atualizado não perderá nada nesse dia. A extinção real das extensões antigas já aconteceu, silenciosamente, em julho de 2025, com o lançamento do Chrome 138. O que está por vir é apenas uma faxina de banco de dados.

Uma linha do tempo que a imprensa errou

O Manifest V2 é o formato que descreveu as extensões do Chrome por mais de uma década, desde seu lançamento em 2012. Seu substituto, o Manifest V3, chegou ao Chrome estável em 19 de janeiro de 2021, e o Google levou anos fechando gradualmente cada porta que ainda permitia o funcionamento do formato antigo.

O primeiro impacto real para usuários comuns veio em 9 de outubro de 2024, quando o Chrome começou a desativar extensões MV2 no canal estável — ainda com a possibilidade de reativação manual. Em 31 de março de 2025, a desativação passou a ser o padrão em todos os canais, com uma exceção temporária para ambientes corporativos, prorrogada até junho de 2025 por meio de uma política administrativa chamada ExtensionManifestV2Availability.

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O golpe definitivo veio com o Chrome 138, lançado em 24 de julho de 2025: a partir dali, nenhum usuário podia mais reativar extensões MV2 manualmente. O Chrome 139, versão seguinte, eliminou também a política corporativa. A partir do Chrome 139, não existe mais nenhuma forma suportada — nem botão, nem flag, nem configuração de administrador — de rodar uma extensão MV2 no Chrome.

Os Chrome 150 e 151, lançados entre junho e julho de 2026, removeram os últimos vestígios técnicos: flags de desenvolvedor e um parâmetro de linha de comando que ainda permitiam carregar extensões MV2 em builds experimentais. Essas remoções constam de commits públicos no repositório Chromium e da cobertura da imprensa especializada, não do cronograma oficial do Google, que encerra sua documentação no Chrome 139. O impacto para o usuário comum, no entanto, é nulo: o MV2 já estava morto desde o verão de 2025.

O que muda em 31 de agosto

Na prática, a remoção das listagens do Chrome Web Store em 31 de agosto tem duas consequências concretas. Primeiro, não será mais possível instalar, reinstalar ou atualizar extensões MV2 pela loja — as páginas passarão a retornar erro. Segundo, extensões MV2 que ainda estejam instaladas em versões antigas do Chrome (138 ou anteriores) deixarão de receber atualizações e não poderão ser reinstaladas caso removidas.

Para quem usa o Chrome atualizado, absolutamente nada muda no dia 31. Se uma extensão está funcionando agora, ela já é Manifest V3 — o MV2 não consegue executar uma linha de código no Chrome moderno desde julho do ano passado. Os contadores regressivos que circulam em artigos desta semana dramatizam um evento que, para a esmagadora maioria dos usuários, já aconteceu.

Por que o Google forçou a migração

O Manifest V3 não foi uma mudança cosmética. O Google reconstruiu três mecanismos centrais do modelo de extensões, e cada um deles trocou capacidade por uma propriedade que a empresa queria garantir.

A primeira mudança proíbe código remoto. Sob o MV2, uma extensão podia buscar e executar scripts de um servidor externo em tempo real — código que nunca passou pela revisão do Google. O MV3 exige que toda a lógica executável esteja dentro do pacote revisado. O benefício de segurança é real: o que o Google analisou e o que roda no navegador passam a ser o mesmo artefato.

A segunda mudança é a mais controversa. O MV2 oferecia uma versão bloqueante da API webRequest, que permitia a uma extensão interceptar e analisar cada requisição de rede do navegador com código JavaScript próprio, decidindo em tempo real o que bloquear. O MV3 substitui esse mecanismo pela declarativeNetRequest: em vez de executar código para cada requisição, a extensão declara regras antecipadas e o próprio navegador as aplica, sem que a extensão veja o tráfego.

O Google argumenta ganhos de privacidade e desempenho: bloqueadores de anúncios deixam de ter acesso ao histórico completo de navegação requisição por requisição. Críticos reconhecem o benefício, mas apontam que regras declarativas são expressivamente menos poderosas do que código. O limite de 30.000 regras estáticas e 30.000 dinâmicas — já ampliado mais de uma vez desde o lançamento — nunca foi o verdadeiro teto: o modelo declarativo simplesmente não consegue reproduzir toda a lógica situacional que o código permitia. E há um problema de credibilidade difícil de ignorar: a empresa que exige que os bloqueadores de anúncios se tornem menos eficazes é a mesma que vende anúncios.

A terceira mudança substituiu as páginas de fundo persistentes por service workers efêmeros, que o Chrome descarrega após cerca de 30 segundos de inatividade. O impacto foi sentido principalmente por desenvolvedores, que precisaram reescrever código que assumia um processo sempre ativo.

uBlock Origin: o que sobrou

A extensão mais buscada nesse contexto é o uBlock Origin original, criado por Raymond Hill (conhecido como gorhill) e construído sobre a webRequest bloqueante. Essa versão não roda mais no Chrome desde meados de 2025.

Hill desenvolveu uma versão para MV3 chamada uBlock Origin Lite (uBOL), que usa declarativeNetRequest e pré-compila listas de filtros em regras estáticas. Para a maioria dos usuários, em boa parte dos sites, ela bloqueia a maioria dos anúncios. O próprio Hill nunca afirmou que ela é equivalente à original: a filtragem cosmética é mais limitada, e a extensão não consegue reagir a novos mecanismos anti-bloqueio até que um novo conjunto de regras passe pela fila de revisão da loja.

O uBlock Origin completo não desapareceu — apenas deixou de morar no Chrome. O Firefox manteve a API webRequest bloqueante, e a versão integral da extensão continua funcionando no navegador da Mozilla sem qualquer restrição. O Brave oferece bloqueio nativo integrado ao navegador, independente do sistema de extensões. O AdGuard disponibiliza tanto um aplicativo independente quanto uma extensão MV3.

O Edge foi, por algum tempo, uma alternativa para quem precisava do uBlock Origin completo no ecossistema Chromium. Em 7 de agosto de 2026, a Microsoft anunciou que iniciará a transição de consumidores para longe do MV2 ao longo dos próximos meses, com conclusão prevista para o final de 2026 e depreciação corporativa em 2027. O Firefox permanece, até o momento, o único navegador de grande adoção que se comprometeu a manter tanto o Manifest V2 quanto a webRequest bloqueante.

Temas

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